O Campeonato Nacional de Andebol está mergulhado numa profunda crise institucional e organizativa, depois de sete dos oito clubes apurados para a Final Four, nos escalões masculino e feminino, terem anunciado a decisão de não participar na fase decisiva da competição.
A posição conjunta envolve, no masculino, ODERF do Sal, ASA Stars de Santiago Sul, Atlético Clube do Mindelo e Desportivo da Praia, enquanto no feminino subscrevem a decisão Amarante, ABC da Praia e Djack Soia do Sal.
Os clubes justificam a decisão com aquilo que consideram ser uma sucessão de problemas na organização da principal competição nacional da modalidade, apontando para adiamentos sucessivos, alterações constantes de datas e locais, falta de informação atempada e indefinição quanto às condições para a realização da fase final.
Clubes exigem maior diálogo
Na comunicação conjunta, os sete clubes criticam igualmente a ausência de uma auscultação considerada adequada antes da definição das novas datas para a Final Four.
Para os emblemas envolvidos, a organização de uma competição nacional exige previsibilidade, transparência e diálogo permanente com os clubes, sobretudo numa modalidade que depende fortemente da logística de transporte interilhas.
Os clubes deixam claro, contudo, que a decisão não representa uma desistência do andebol nem uma falta de respeito pela competição.
Pelo contrário, classificam a posição como um ato de responsabilidade coletiva, alegando estar em causa a defesa dos atletas, dos clubes, das associações regionais e da própria dignidade do andebol cabo-verdiano.
Contestação à gestão da FCA ganha força
A crise ultrapassa agora a realização da Final Four.
Os sete clubes manifestam também uma profunda preocupação com o funcionamento e a gestão da Federação Cabo-verdiana de Andebol (FCA), considerando que a atual situação institucional não deve prolongar-se para a época desportiva 2026/27.
Segundo os clubes, a continuidade do atual quadro diretivo poderá comprometer o normal desenvolvimento da nova temporada, apontando problemas relacionados com comunicação, organização e cumprimento das obrigações estatutárias.
Perante este cenário, os clubes pedem às respetivas associações regionais que avaliem a situação da Federação e promovam, com caráter de urgência, os procedimentos previstos nos estatutos.
Entre as possibilidades levantadas está a convocação de uma Assembleia-Geral Extraordinária para discutir a situação da FCA e a eventual realização de novas eleições.
Os clubes admitem ainda a possibilidade de avançar para a destituição da atual direção liderada por Ângela Almeida, caso estejam reunidas as condições estatutárias para tal.
Uma Final Four que continua sem solução
A atual crise é o resultado de um processo que se arrasta há semanas.
A primeira fase do Campeonato Nacional foi disputada entre 3 e 5 de setembro, na Praia e em São Vicente, ficando definidos os clubes apurados para a fase decisiva. A competição acabou posteriormente suspensa, com a FCA a apontar, entre outros motivos, o período de luto nacional decretado após o acidente de viação ocorrido na ilha do Fogo e dificuldades relacionadas com os transportes interilhas.
Anteriormente, a Federação já tinha apresentado diferentes possibilidades para a realização da fase final, com alterações relativamente ao local e ao calendário da competição.
A falta de uma definição estável acabou por aumentar a insatisfação entre os clubes.
Em setembro, a ODERF, do Sal, já tinha manifestado publicamente preocupação com os sucessivos adiamentos e solicitado maior intervenção das entidades responsáveis perante a indefinição em torno da competição.
O futuro do campeonato em risco
Com sete dos oito clubes apurados a recusarem participar, a realização da Final Four fica agora seriamente comprometida.
Mais do que uma disputa sobre datas ou locais, o episódio expõe um problema mais profundo no andebol cabo-verdiano: a relação entre a entidade federativa e os clubes que sustentam a competição.
A bola está agora do lado da FCA e das associações regionais.
Será necessário encontrar uma solução que permita preservar a competição, garantir os direitos dos atletas e clubes e, sobretudo, reconstruir a confiança entre os diferentes intervenientes.
A crise poderá, assim, transformar-se num momento decisivo para o futuro do andebol nacional.
Entre a realização da Final Four e a possível abertura de um processo de mudança na liderança da Federação, o andebol cabo-verdiano enfrenta uma das suas mais sérias crises dos últimos anos.
/BC Sports TV/



















