O futebol no continente africano prepara-se para uma das maiores restruturações da sua história recente. Com o objetivo de modernizar o calendário, otimizar as receitas comerciais e elevar o nível competitivo das suas seleções, a Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou o lançamento da Liga das Nações Africanas (African Nations League).
A nova competição surge no âmbito de um plano global que altera profundamente o modelo da tradicional Taça das Nações Africanas (CAN).
Historicamente disputada de dois em dois anos, a CAN passará a realizar-se num ciclo quadrienal após a edição de 2028. A decisão do presidente da CAF, Patrice Motsepe, visa responder às constantes pressões dos clubes europeus e ao congestionamento do calendário internacional — intensificado pelo novo Mundial de Clubes da FIFA e pelo alargamento das competições de seleções e clubes a nível global.
Para preencher o vazio competitivo e financeiro deixado pela transição da CAN para um formato de quatro em quatro anos, a CAF desenhou a Liga das Nações Africanas como um torneio de periodicidade anual.
“Precisávamos de um modelo sustentável que protegesse os nossos jogadores, respeitasse as janelas internacionais e, ao mesmo tempo, garantisse receitas e jogos de alto nível para todas as nossas federações ao longo de todo o ano.”
— Patrice Motsepe, Presidente da CAF.
Como Funcionará a Competição?
Prevista para arrancar em 2029, a Liga das Nações Africanas integrará todas as federações filiadas à CAF e funcionará de forma alinhada com o calendário oficial da FIFA:
- Janelas Internacionais: A fase de grupos será disputada durante as pausas internacionais fixadas nos meses de setembro e outubro.
- Fase Final: As etapas decisivas (Final Four) terão lugar em novembro.
- Estrutura Regional: A fase inicial organizará as equipas por divisões geográficas e níveis de rendimento, promovendo duelos equilibrados entre equipas de topo e garantindo visibilidade às nações emergentes.
- Anos de Mundial: Nos anos em que se disputar o Campeonato do Mundo da FIFA, a Liga das Nações não terá fase final, permitindo às seleções qualificadas focarem-se na preparação para o certame planetário.
Impacto Financeiro e Desportivo
A criação deste novo torneio promete transformar o ecossistema do futebol africano sob dois grandes aspetos:
- Sustentabilidade Financeira: Com partidas anuais transmitidas globalmente e patrocínios contínuos, as federações de menor dimensão financeira passarão a contar com uma fonte de receita estável.
- Competitividade Contínua: Seleções que antes passavam longos períodos sem disputar jogos oficiais terão agora um calendário estruturado de encontros competitivos, reduzindo a dependência de jogos particulares de difícil agendamento.
O Futuro do Continentalismo
Com a consolidação da Liga das Nações Africanas a partir de 2029, o continente alinha a sua estrutura à de confederações como a UEFA e a CONCACAF, que já adotaram com sucesso formatos semelhantes. A expetativa dos dirigentes e adeptos é que esta transição marque o arranque de uma era mais profissional, rentável e globalmente atrativa para o futebol africano.
/BC Sports TV/











